4/24/2009

Google: Uma estratégia visionária que necessita ser repensada

Como apresentado no estudo num ano em que a publicidade online bate novos recordes, a Google perde 3% no primeiro trimestre.

Penso que a Google tem alguns erros na sua estratégia quer de actuação quer no desenvolvimento do seu produto, nomeadamente:


- A Google é um óptimo meio para quem não tem budget para investimento em meios o que permite uma campanha à dimensão da "carteira" de cada um, no entanto esta facilidade gera uma massificação de anúncios o que a médio tempo descredibiliza a publicidade no Google;

- A Google mistura comunicação credível com a restante, por ex. quando metemos o nome de um hotel especifico ou de uma marca, temos como resultado de Adwords a concorrência e sites que se fazem passar pelo site oficial da marca, ou seja, enganosos.

- Na publicidade da Google não passa a marca, pelo facto de não ter logo nem a linha de comunicação da campanha. Se por um lado é uma mais valia para o utilizador ao ter um ecrã clean, não é de todo uma mais valia para a marca.

- O conceito na publicidade é fundamental para a comunicação de qualquer marca, no Google não há lugar para qualquer tipo de conceito ou criatividade

- O Google vende directamente ao cliente final, não tendo qualquer tipo de acordo com as agências de meios e até tira o negócio a estas ao ir directamente aos seus clientes. Sendo que a grande parte de investimento em meios está concentrado nas agências, estas desviam os investimentos para outros meios que não o Google. Ou seja, não há uma estratégia virada para parceiros.

Decididamente o que foi em tempos uma estratégia vencedora, hoje começa a revelar uma necessidade urgente de mudança. Se por um lado a Google necessita de alterar a sua estratégia quer junto dos seus parceiros que lhe podem canalizar mais investimento, quer mesmo no valor que pode criar para as marcas, por outro o gigante Microsoft continua a dar grandes passos na área da publicidade, sendo líder em canais que distribui publicidade de acordo com target, hora e outros filtros, nomeadamente com o MSN.


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2 comments:

Anonymous said...

Ludovic:

1 - De facto, como o referiste, a Google pela primeira vez na sua historia (!) registou uma queda do seu volume de negócio (entre o primeiro trimestre de 2009 e o ultimo de 2008). Mas se compararmos esse resultado com o do primeiro trimestre de 2008 vemos que os resultados da Google subiram de 6%.

O que me leva a dizer que -3% não é um resultado alarmante. A maior parte dos analistas já previam essa ligeira queda e não creio que isto tenha causas estruturais. Ou seja, não penso que a estratégia e o bussiness model da Google devem ser posto em causa por causa desse primeiro resultado negativo.

Creio que trate-se mais de causas conjunturais. Como todos nos sabemos, em tempo de crise, uma das primeiras medidas adoptada é o corte dos orçamentos publicitários, o que logicamente afectou o volume de negocio da Google. Isso explica o -3%. Se compararmos com as quedas registadas por certos meios de publicidade (jornais, canais TV etc.) e agências de médios, -3% parece uma queda ridícula! Essa ligeira queda prova, ao contrario do que afirmas aqui, que a estratégia da Google é solida e perfeitamente adaptada ao sector da publicidade.2 - Agora do ponto de visto do anunciante concordo completamente com alguns dos teus argumentos. Os anúncios da Google descredibilizam a publicidade e não permitam criatividade e liberdade aos anunciantes. Isso é a principal critica que se pode fazer aos Adwords ... MAS a Google também permite difusão de banners flash (o que permite muita criatividade) e os engenheiros de Moutain View estão a preparar uma nova versão e novos formatos de Adwords.

3 - Outro ponto no qual não concordo contigo: a target da Google não é (só)os pequenos anunciantes e a Google tem acordos com agências de meios e grandes anunciantes. Já cheguei a colaborar com a Google e posso-te garantir que eles tanto tem por target os pequenos anunciantes como os grandes (P&G, Unilever, etc.). Para tal cada filial da Google tem consultores especializados em cada área de negócio (sector automóvel, grande consumo etc...) e esses consultores oferecem serviços personalizados aos grandes anunciantes e agências de meios. A plataforma adwords é apenas reservada aos pequenos anunciantes. Para os grandes anunciantes a Google adopta o mesmo processo que uma agência de meios tradicional e tem para tal os seus próprios consultores.

Ludovic
www.mktg2.net

Ricardo Teixeira said...

Ludovic -


Li o teu ponto de vista e compreendo o mesmo, contudo a minha prespectiva era numa optica de agência e revenue para as marcas.

- no entanto esses 6% são a baixo do crescimento do mercado nesta área;

- não creio que se trate apenas de causas estruturais, mas sim, e mais uma vez reforço a questão das estratégia, ou seja, o aumento de custos com o youtube, lançamento de produtos que não tiveram qualquer sucesso e entrada em áreas de negocio que saiam fora do seu ambito, como por ex o adprint;

- quanto ao teu ponto 3, era disso mesmo que falava, ou seja, eles vendem directamente aos grandes anunciantes deixando de lado as agencias de meios. Esse foi um erro grave e uma atitude pouco correcta ao pensarem que podiam viver sem parcerias e que podiam dominar o mercado dessa forma. Com isto as agencias de meios, começaram a levar os seus anunciantes para outros canais e raramente sugeriam google, desviando assim o investimento.


Conclusão:

Como dizia, eles estão a repensar completamente esses pontos e um deles como disseste já estão a rever a adwords com ad display.
Também estão a virar completamente a sua estratégia de parcerias e estão a contactar todas as agência e a fazer um levantamento de todos os seus clientes para que possam ir com a agência e não "à volta".

Mas enquanto isso têm uma "factura" a pagar, futuro de uma falta de estratégia a longo prazo e também fruto de uma start up de elevado crescimento e algum egocentrismo.

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